Paulo Pereira de Almeida
Vice-Presidente do ITD
Faltam 30 dias até à Super-terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008. E o que se espera no campo dos Republicanos é, num certo sentido, surpreendente. Os cenários são diversos e a vitória de John McCain com 38% dos votos, precisamente oito anos depois da sua primeira vitória nas Primárias de New Hampshire, em 2000, deve-se uma vez mais aos eleitores anti-establishment e com um sentido de independência em relação aos favoritismos de partida. Depois, há que considerar o resultado mais mitigado de Mike Huckabee, com apenas 11%, que se não lhe retira por agora as esperanças de ser o Candidato Presidencial Democrata, coloca-as numa fasquia mais baixa. Pelo seu lado, Mitt Romney – um candidato conservador e anti-aborto, com uma vasta experiência empresarial – vê nestes resultado de 33% dos votos em New Hampshire um sinal positivo para a sua campanha, mas a verdade é que se não conseguir vencer no Michigan dificilmente poderá vir a conseguir a sua nomeação. Além disso, teremos de continuar a considerar a capacidade mobilizadora de Rudy Giuliani, pelo menos até avaliarmos o seu desempenho na Florida, a 29 de Janeiro: só depois será possível entender até que ponto a sua candidatura tem sido, ou não, sobre-estimada; mais uma derrota para Giuliani e, possivelmente, a sua campanha chega ao fim.
Do lado das Candidaturas Presidenciais Democratas o fenómeno do casal Clinton demonstrou-se, uma vez mais, determinante para a vitória de Hillary Clinton. O tom emotivo e a ênfase na ideia de mudança com experiência acumulada serviram como estratégia para que a Senadora de Nova-Iorque conseguisse uma vitória sobre Barack Obama, com 40% dos votos contra 37% dos recolhidos pelo Senador do Illinois. Trata-se uma vez mais, a meu ver, de um fenómeno curioso de popularidade junto do eleitorado feminino, um argumento psicológico que pode favorecer a Candidata tanto mais que os estudos já realizados indicam a repartição por género dos eleitores mostra uma votação em massa das mulheres em Hillary. Todavia, não me parece que se possa interpretar o resultado de Obama como fraco: afinal ele e Hillary elegeram o mesmo número de delegados e o senador negro foi, no cômputo final, o segundo Candidato mais votado. Mas agora a estratégia da campanha de Obama deverá, seguramente, centrar-se no Nevada e na Carolina do Sul, este último o Estado onde nasceu John Edwards, que terminou num distante terceiro lugar com apenas 17% dos votos. Tudo em novo em aberto, portanto, também no campo dos Democratas.











Excelente. Veremos se os democratas ainda conseguem vencer o Rudy…
Uma análise correta. Agora falta perceber até que ponto os dems irão conseguir. Até porque há demasiado ruído nas candidaturas.
Pedro Fonseca
Parece-me que as mulheres vencerão esta eleição. Curioso haver apenas uma, mas isso talvez mude no futuro.
Creio que estas eleições serão as mais participadas de sempre e que terão um grande debate. Prova-se que a política não está morta nos EUA.
António Mello
PS – excelente análise
Uma análise muito inteligente, mas resta saber quem irá ganhar as primárias nos estados maiores.
Um abraço
CRebordão
Estou de acordo com a análise, mas parece-me que todas as previsões são prematuras.