A nova surpresa em New Hampshire

9 01 2008

Paulo Pereira de Almeida

Vice-Presidente do ITD

Faltam 30 dias até à Super-terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008. E o que se espera no campo dos Republicanos é, num certo sentido, surpreendente. Os cenários são diversos e a vitória de John McCain com 38% dos votos, precisamente oito anos depois da sua primeira vitória nas Primárias de New Hampshire, em 2000, deve-se uma vez mais aos eleitores anti-establishment e com um sentido de independência em relação aos favoritismos de partida. Depois, há que considerar o resultado mais mitigado de Mike Huckabee, com apenas 11%, que se não lhe retira por agora as esperanças de ser o Candidato Presidencial Democrata, coloca-as numa fasquia mais baixa. Pelo seu lado, Mitt Romney – um candidato conservador e anti-aborto, com uma vasta experiência empresarial – vê nestes resultado de 33% dos votos em New Hampshire um sinal positivo para a sua campanha, mas a verdade é que se não conseguir vencer no Michigan dificilmente poderá vir a conseguir a sua nomeação. Além disso, teremos de continuar a considerar a capacidade mobilizadora de Rudy Giuliani, pelo menos até avaliarmos o seu desempenho na Florida, a 29 de Janeiro: só depois será possível entender até que ponto a sua candidatura tem sido, ou não, sobre-estimada; mais uma derrota para Giuliani e, possivelmente, a sua campanha chega ao fim.

Do lado das Candidaturas Presidenciais Democratas o fenómeno do casal Clinton demonstrou-se, uma vez mais, determinante para a vitória de Hillary Clinton. O tom emotivo e a ênfase na ideia de mudança com experiência acumulada serviram como estratégia para que a Senadora de Nova-Iorque conseguisse uma vitória sobre Barack Obama, com 40% dos votos contra 37% dos recolhidos pelo Senador do Illinois. Trata-se uma vez mais, a meu ver, de um fenómeno curioso de popularidade junto do eleitorado feminino, um argumento psicológico que pode favorecer a Candidata tanto mais que os estudos já realizados indicam a repartição por género dos eleitores mostra uma votação em massa das mulheres em Hillary. Todavia, não me parece que se possa interpretar o resultado de Obama como fraco: afinal ele e Hillary elegeram o mesmo número de delegados e o senador negro foi, no cômputo final, o segundo Candidato mais votado. Mas agora a estratégia da campanha de Obama deverá, seguramente, centrar-se no Nevada e na Carolina do Sul, este último o Estado onde nasceu John Edwards, que terminou num distante terceiro lugar com apenas 17% dos votos. Tudo em novo em aberto, portanto, também no campo dos Democratas.

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6 responses

10 01 2008
Afonso Justino

Excelente. Veremos se os democratas ainda conseguem vencer o Rudy…

10 01 2008
Pedro Fonseca

Uma análise correta. Agora falta perceber até que ponto os dems irão conseguir. Até porque há demasiado ruído nas candidaturas.
Pedro Fonseca

11 01 2008
Joana Tavares

Parece-me que as mulheres vencerão esta eleição. Curioso haver apenas uma, mas isso talvez mude no futuro.

12 01 2008
António Mello

Creio que estas eleições serão as mais participadas de sempre e que terão um grande debate. Prova-se que a política não está morta nos EUA.
António Mello
PS – excelente análise

13 01 2008
Carlos Rebordão

Uma análise muito inteligente, mas resta saber quem irá ganhar as primárias nos estados maiores.
Um abraço
CRebordão

14 01 2008
Joaquim Mendonça

Estou de acordo com a análise, mas parece-me que todas as previsões são prematuras.

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