As notícias sobre a sua morte foram manifestamente exageradas

9 01 2008

Sofia Dias

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Usando a famosa frase de Mark Twain, numa manhã clara e limpa deste lado, soubemos que do outro lado do mar, afinal, Hillary Clinton não estava fora da corrida e que, contrariamente ao que se havia dito, o terceiro lugar em Iowa não tinha sido um bilhete sem regresso para Palookavile (politico.com). Deve haver muitos comentadores, especialistas, politólogos e especialistas de sondagens admirados…

Com efeito, abandonando a postura inicial de candidata quase institucional, o que certamente deverá ter desagradado a potenciais votantes, Hillary Clinton recentrou a sua campanha apostando na enfatização das suas credenciais face a Barack Obama, nomeadamente no conteúdo das suas propostas, na sua maior experiência política, respondendo a perguntas nos comícios e, paralelamente, na assunção de alguma vulnerabilidade pessoal. Não julgo que o famoso episódio do choro engasgado se trate de um recurso fácil à emoção, mas sim de um assumir desassombrado de que por detrás dos políticos estão pessoas, com sentimentos como as outras. Penso, sim, que a estratégia inicial era, pelo facto de ser mulher, evitar mostras de emoções por parte da candidata, como forma de evitar o rótulo habitual de histeria feminina e que agora optou, e bem, pela sua apresentação natural.

Será um comeback? Ainda é cedo para saber, mas o discurso inspirador e algo “evagelizador” de Barack Obama não serão suficientes, só por si, para o fazer ganhar a nomeação, já que atrás de uma forma cativante, parece faltar manifestamente o conteúdo que se espera da governação que suceda à administração Bush. Se é verdade que Obama fala incessantemente de mudança, em que se traduzirá realmente ela? Concordando-se ou não, a verdade é que ao nível da saúde, por todos, as posições inovadoras defendidas por Hillary Clinton face ao status quo americano nesta matéria são sobejamente conhecidas. Ou trata-se de aderir ao discurso da mudança pela mudança?

Uma coisa neste momento pode dizer-se, pesa sobre os ombros dos candidatos democratas à nomeação, em geral, e de Hillary Clinton e Barack Obama, em particular, a responsabilidade de estarem à altura da afluência sem precedentes com que os votantes democratas têm acorrido aos caucuses do Iowa e às primárias do New Hampshire.

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10 01 2008
Hugo Gaspar

“Não julgo que o famoso episódio do choro engasgado se trate de um recurso fácil à emoção, mas sim de um assumir desassombrado de que por detrás dos políticos estão pessoas, com sentimentos como as outras.”

Concordo, mas quando hoje vinha para o trabalho, ouvi António Vitorino na TSF, afirmar que Hillary Clinton reconheceu que a lágrima derramada contribuiu para a afluência massiva do eleitorado femenino mais velho.

Também curiosa, a posição aparentemente antagónica entre Clinton e McCain, como democrata e republicano. A 1ª apoiou desde a 1ª hora a intervenção militar no Iraque, o 2º distanciou-se bastante da posição de Bush e do PRepublicano.

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