O Regresso do Herói

2 02 2008

João Esteves

No início, a candidatura de McCain era qualificada como cinzenta, pouco galvanizadora, sem possibilidades de vencer face ao (então) favorito e inexpugnável Giuliani. Outros chegavam ao paroxismo de afirmar que a sua candidatura era uma vendetta , um ajuste de contas pela sua não eleição nas primárias ocorridas em 2000, onde confrontou o actual presidente George W. Bush.

Relembro que McCain nunca foi considerado um candidato com efectivas possibilidades de vencer – as sondagens remetiam-no para uma posição pouco lisonjeira e os críticos zurziam amiúde a sua campanha. O antigo combatente americano na Guerra do Vietname parecia, assim, arredado da corrida presidencial, mormente após o surgimento de candidatos como Romney ou Huckabee.

Actualmente, a realidade é bem diferente. McCain mostra ter uma virtude que começa a rarear nos políticos contemporâneos: sabe esperar, isto é, tem a lucidez para adaptar a sua actuação às circunstâncias. Após o desaire eleitoral em Iowa, percebeu que a vitória em New Hampshire seria determinante e, por conseguinte, concentrou esforços e meios para a alcançar. E bem – em New Hampshire surgiu um McCain renovado ao ponto de a prestigiada revista Time anunciar que ” McCain is back”. E não se enganou.

Com efeito, McCain  é, sem dúvida, o candidato ideal para os republicanos. Porquê? Ora, a explicação remete para duas vertentes:  os factores intrínsecos do candidato e factores extrínsecos ou conjunturais.

Os factores intrínsecos abrangem a imagem que o candidato transmite para o eleitorado, a sua empatia. Neste âmbito, McCain apresenta diversos pontos fortes. Destaco:

1.       A imagem de seriedade – McCain identifica os problemas dos americanos com seriedade e apresenta soluções sem enveredar pela solução simplista do populismo leviano;

2.       A genuinidade – creio que a campanha é pensada até ao mais ínfimo pormenor , mas a sensação que deixa transparecer é de que McCain age por si, guiado pelas suas convicções e (por que não?) pelas suas emoções. Este é um elemento fundamental para aproximá-lo dos eleitores e criar uma empatia positiva com estes;

3.       A idade – ao invés do que tem sido a opinião maioritária dos analistas, penso que a idade mais avançada de McCAIN é uma vantagem – e não um handicap. De facto, a idade confere -lhe um ar de senador, de primus inter pares e inspira confiança.

Por outro lado, convém mencionar um factor extrínseco que é crucial – o facto de McCain ser o candidato que mais pode estabelecer a ruptura com o legado da Administração Bush. Sempre defendi que o candidato que irá vencer é aquele que melhor conseguir explicitar as suas diferenças em relação a Bush. Ora, McCain, sem ser truculento (até porque no GOP existe uma convenção desde Ronald Reagan que não permite um republicano criticar publicamente outro republicano), tem sabido marcar a clivagem com o status quo em relação às questões mais candentes da sociedade norte – americana.

Com os apoios do Governador da Califórnia e de Rudy Giuliani, creio que McCain será, ceteris paribus,  o candidato dos republicanos.

Em suma, McCain personifica a determinação e ambição políticas. Teve um enorme mérito em não desistir nos momentos muito complexos da sua campanha. O que não constitui surpresa – McCain é um combatente e um patriota. E os patriotas não resignam.

Por ora, McCain é o “herói” dos republicanos. Conseguirá ser o “herói” dos EUA em Novembro?

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