Califórnia – Terra de Sonhos… Para Quem?

6 02 2008

João Esteves

Sócio ITD

Hoje realizam-se as eleições primárias no Estado da Califórnia. Este é o mais populoso Estado dos EUA e uma das regiões mais ricas, do ponto de vista económico, do mundo. É aí que se localiza o centro da indústria cinematográfica mundial desde o culminar da 1.ª Guerra Mundial (em Hollywood, bairro de Los Angeles), pelo que o espaço mediático é assaz relevante no estado em causa.

Facilmente se perceberá que os resultados na Califórnia serão extremamente importantes para a designação do candidato presidencial de ambos os partidos. De facto, o voto dos eleitores californianos recupera hoje a proeminência que vinha perdendo desde as eleições que viriam a consagrar o republicano Nixon. Porquê? Pela simples razão de que as primárias neste estado vinham a ocorrer num momento muito próximo da data da Convenções dos partidos – inicialmente em Junho e, posteriormente, em Abril – pelo que já se perspectivavam com algum rigor os candidatos que iriam disputar a corrida à White House. Ora, desta feita, o acto eleitoral foi antecipado, coincidindo com a Super Tuesday. Assim, os candidatos foram confrontados com a necessidade de apostar forte na Califórnia e as atenções estarão, em grande arte, aí focadas.

Não obstante, há que advertir que os resultados na Califórnia têm de ser analisados com prudência. O processo é complexo e pode induzir a interpretações erróneas. Efectivamente, a vitória no estado conotado como a terra dos sonhos pode não representar qualquer vantagem para o candidato democrata triunfante. Clarificando: se na maioria dos Congressional districts, um candidato não obtiver um resultado igual ou superior a 62%, receberá o mesmo número de delegados que o seu oponente. Mais: o número definitivo de delegados averbados por cada candidato, pode não ser conhecido antes de sexta – feira…

Na minha perspectiva, Hillary Clinton parte com uma ligeira vantagem. O seu desempenho no debate realizado no Kodac Theatre, Los Angeles, respondendo com mais consistência a questões relacionadas com temáticas cruciais como a saúde ou a segurança, conferiu-lhe um elán para a eleição de hoje. Por outro lado, os democratas californianos tendem a ser mais conservadores do que o arquétipo do partido, como revelou Nancy Pelosi, a speaker do Congresso norte – americano. Ademais, a sua aposta na Florida, onde venceu categoricamente, pode ser benéfica para conquistar o voto do eleitorado hispânico.

Porém, a intervenção de Oprah Winfrey na recta final da campanha, apoiando entusiasticamente Obama, veio atenuar a diferença que as sondagens até então registavam entre ambos os candidatos. Com efeito, Oprah é a apresentadora predilecta dos americanos, nomeadamente do público feminino, dos afros – americanos e cativa, inclusive, os hispânicos – ou seja, entra bem no eleitorado que supostamente votaria em Hillary. O efeito Oprah poderá ser suficiente para impedir a vitória de Clinton? – uma das (muitas) dúvidas para clarificar esta noite.

Curiosa foi a declaração de Obama esta tarde, afirmando que Hillary partia como favorita à vitória, mas que confiava numa reviravolta. Ingenuidade? Não. Bem pelo contrário – revela inteligência. Ao baixar as expectativas, Obama poderá manter o discurso positivo, independentemente do resultado desta noite. E assim manter a Obamamania –  o que poderá igualmente confirmar a disposição do candidato afro – americano em candidatar-se à vice – presidência em caso de derrota…

No lado Republicano, penso que, sem surpresas, ganhará McCain quer o estado da Califórnia, quer a super Tuesday em geral. Para além dos apoios significativos que recebeu de Schwarzeneger e Giuliani, a direita mais conservadora está a contribuir para que o seu triunfo se confirme. De facto, as críticas sistemáticas que lhe são dirigidas por não ser “um verdadeiro conservador” não o afectam – ao invés, reforçam-no. É que, desta forma, McCain consegue atrair os eleitores independentes e, devido ao efeito dominó”, a própria direita evangélica, que o passa a encarar como um mal necessário. Mantenho a opinião de que Mitt Romney é um mau candidato, que definiu mal a campanha e que a nomeação de Huckabee seria uma atitude suicida do partido Republicano – a escolha de McCain será, pois, uma escolha inteligente e pragmática.

Em suma, a noite de hoje será longa e entusiasmante. As dúvidas são muitas; as certezas são poucas. Nem mesmo as sondagens podem indiciar algo – repare-se que a Reuters e a Zogby poll atribuem a vitória a Obama, enquanto a Survey USA poll atribui a Hillary Clinton. Creio que quem vencer na California e em New Iork, será o candidato do seu partido. Assim, a Califórnia será mais uma vez a terra dos sonhos… resta saber para quem!

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