Falta um Sinal de Portugal *

21 03 2008

Paulo Pereira de Almeida

Vice-Presidente da Direcção do Instituto Transatlântico Democrático

*Artigo publicado na edição de Março de 2008 da Revista Autor.

Neste primeiro trimestre de 2008 dissipou-se a memória de uma Presidência da União Europeia bem sucedida. Mas – e ao mesmo tempo – as eleições presidenciais norte-americanas ganharam uma considerável dinâmica e projectaram-se na agenda mediática. Falta, no entanto, um sinal claro do Governo português relativamente a estas eleições e ao que se seguirá na governação mundial. E isto, em meu entender, por duas ordens de razões: em primeiro, porque já existe na imaginação dos candidatos a Presidente um conjunto de probabilidades sobre quem irá ganhar em Novembro de 2008, e os candidatos já deram sinais relativamente claros sobre a sua estratégia para a política interna e externa; depois, e em segundo, porque dos pequenos países amigos dos Estados Unidos da América, como é o caso do nosso, se espera alguma definição quanto às posições de um dos candidatos e não orientações de conveniência, à última hora.

De forma diferente, no Brasil têm-se discutido amplamente as implicações económicas e diplomáticas das eleições norte-americanas. Parece ser evidente a preocupação dos analistas e dos políticos com as posições estratégicas dos candidatos e com as suas opções em matéria de política externa. O que parece estar no centro das atenções dos brasileiros é a questão da abertura comercial dos Estados Unidos, considerando em particular as posições dos candidatos à nomeação presidencial nas relações bilaterais e nos acordos de comércio. A questão do mercado do etanol e das exportações de produtos agrícolas dominam, pelo seu peso no Produto, as preocupações dos brasileiros.

Conviria – por tudo isto – que os responsáveis pela nossa política externa se pronunciassem quanto à relação de Portugal com o futuro Presidente dos EUA. No fundo, seria importante que os responsáveis pela política externa dissessem quais são as suas expectativas e qual o perfil desejável no futuro relacionamento de Portugal com a potência mundial do novo século.

Evidentemente que, pelo meu lado, não alimento ilusões quanto ao desconforto que ainda existe em alguns sectores relativamente ao quadro da governação de George W. Bush, sobretudo sobre a questão do Iraque. Mas também acredito que os próximos anos serão clarificadores. E não me esqueço das palavras de encorajamento e de esperança que um – dos poucos – senadores com ascendência lusa, Marc Pacheco, dirigiu aos portugueses numa das suas passagens pelo nosso país. É que não só existe uma importante comunidade lusa no Massachussets, com origem maioritária nas Ilhas dos Açores, como sabemos, mas há também muitos portugueses com ligações aos EUA. E neste grupo incluo aqueles que há mais de 50 anos foram estudar e/ou viver para o outro lado do atlântico. Esquecê-los, é esquecer um conjunto de notáveis e de anónimos que sempre aderiram com gosto às iniciativas do American Club, da Comissão Fulbright ou do recém-criado Instituto Transatlântico Democrático.

Seria, portanto, não só uma questão de estratégia mas também de elementar justiça diplomática demonstrar que existe uma vontade política clarificadora no entendimento da relação transatlântica. E esta traria, seguramente, vantagens nos domínios da cooperação económica e política.

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26 03 2008
Pedro Salreu

Excelente artigo.
Portugal tem algo a dizer!

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