Ter ou não ter esperança em Obama

27 08 2008

José Henriques Correia

Investigador ITD

A convenção democrata de Denver, que apontará oficialmente Barack Obama como candidato à Casa Branca, começou nesta última segunda-feira. Na convenção, o veterano senador Ted Kennedy, que chegou de surpresa à Convenção Nacional do Partido Democrata, comoveu a multidão ao falar de sua esperança em mudar a América com a eleição de Obama, expressando-se da seguinte forma: “Amigos democratas, amigos americanos: é tão maravilhoso estar aqui (…) Nada, nada teria me impedido de estar nesta reunião”, “Esta será uma época de esperança, uma nova esperança na justiça e na igualdade (…) esperanças que quebrarão as velhas resistências e garantirão a todos os americanos, do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste, jovens e velhos, o acesso a cuidados (médicos) de qualidade, o que é um direito fundamental e não um privilégio” (Financial Times, 26 de Agosto/2008).

Há algum tempo, nos Açores, durante uma palestra no primeiro Fórum Açoriano Franklin Roosevelt, na ilha de São Miguel, o ex-Presidente da República Mário Soares disse que os EUA estão a dar sinais de estarem a sair de um «ciclo trágico» com o fim do mandato de George W. Bush, que pôs em causa de forma «quase irremediável» o prestígio norte-americano. Mário Soares acredita que se Barack Obama ganhar as presidenciais norte-americanas poderá haver um renascimento da esperança mundial. Nos Açores, o ex-Presidente da República considerou que «um afro-americano na Casa Branca representa por si só uma revolução cultural». Mário Soares acredita que as presidenciais norte-americanas de Novembro poderão fazer renascer a esperança mundial, mas apenas se o candidato democrata Barack Obama for o vencedor.

Em sentido contrário, Bob Herbert, um liberal que não esconde suas simpatias, do Jornal Financial Times, não esconde a sua decepção com Obama: “O senador se arrasta para a direita quando é conveniente e faz ziguezague com um descaso que vai provocar mais do que desilusão”. Para os conservadores, Barack Obama abriu um flanco tão vulnerável que um outro colunista comparou a coluna de Bob Herbert com a de outro conservador, Rich Lowry, do New York Post. No mesmo dia, ambos arrasam Obama, sendo impossível distinguir o liberal do conservador. Relativamente a dados concretos sobre a mudança de discurso e de opinião de Obama, Marie Cocco, do Wahsington Post, escreve sobre a desilusão e a fúria das mulheres porque Obama mudou de posição sobre o aborto na fase avançada da gravidez. Agora é contra, com o argumento de que a mulher deprimida não pode tomar este tipo de decisão. No mesmo sentido, Pat Buchanan, ex-assessor de Nixon, ex-candidato à Presidência e um dos mais influentes colunistas conservadores, desconfia de McCain, mas acha que Obama quer provar à nação que não é um militante negro nem um radical e presta atenção até nos interesses da direita. Buchanan termina a coluna com a pergunta: “Afinal, quem é este individuo?”. Segundo Buchanan, esta vai ser a linha do ataque republicano. Em entrevista à CNN, Barack Obama também já não tem certezas sobre a guerra no Iraque. A âncora da sua campanha era a retirada das tropas americanas. Na semana passada, o discurso passou a ser outro, afirmando que é necessário “refinar sua opinião sobre essa retirada”. É público que também mudou de ideia sobre o financiamento público da campanha – era a favor e, agora, com os “cofres cheios”, já não tem a mesma ideia. Relativamente à pena de morte: era a favor só para casos de homicídios. Agora concordou com os dois juízes mais conservadores do Supremo num caso sobre estupro de uma criança. Prometia bloquear a proposta de imunidade às companhias de telefones que espionaram cidadãos americanos a pedido do governo, no entanto, votou a favor. Era contra a política de dar dinheiro do governo para igrejas. Agora é a favor.

A opinião dos analistas é a de que a sorte de Obama, é ter um adversário não menos mutante, sem rumo, abandonado pela ultra-direita, desesperado em busca dos independentes e dos democratas de Reagan.

Em Novembro se verá: Iremos ter ou não ter esperança em Obama?


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