África e as presidenciais norte-americanas

28 08 2008

Filipe Ferreira

Investigador do Instituto Transatlântico Democrático

A recente criação do AFRICOM (Africa Command) em 2007 foi genericamente considerada como um sinal da crescente importância da importância estratégica do continente africano.

Considera-se que a criação desta estrutura militar, que vem colocar Africa em situação de igualdade com a Europa (EUCOM), o Pacífico (PACOM), o Médio Oriente (CENTCOM), a América Latina (SOUTHCOM) bem como o próprio território norte-americano (NORTHCOM).

Podemos identificar como principais factores na criação deste comando a crescente importância do continente africano relativamente à exportação de matérias-primas, nomeadamente petróleo. (20 a 25% das importações energéticas dos EUA, na próxima década terá origem no continente africano), a necessidade de conter os esforços de subversão de estruturas da Al-Qaeda, nomeadamente no norte de Africa e a disputa de influência no continente com os chineses.

A retracção da influência europeia, nomeadamente francesa criou um vazio estratégico que os chineses não demoraram a ocupar…

Seria de esperar que estas novas realidades fossem de alguma forma abordadas, se não nos debates políticos mais mainstream, mas pelo menos nos programas dos candidatos.

Porém a realidade é diversa. Tanto Barack Obama como John McCain dão pouca ou nenhuma atenção a Africa. Ambos referem, muito ligeiramente, a necessidade de aumentar a ajuda americana, nomeadamente aos programas de combate à SIDA e tuberculose.

A ausência de considerações sobre assuntos tão importantes como a disseminação de células terroristas pelo continente, a disputa de influencia com os chineses bem como a protecção de matérias primas, essenciais ao bem estar da sociedade americana não demonstrou, para estes candidatos, ser uma prioridade.

Talvez estejamos a assistir a uma disputa eleitoral em que pela última vez Africa estará afastada das principais preocupações dos decisores americanos, mas já não deveria ser assim.

Face a esta realidade, Portugal deverá assumir, dada a sua experiência e laços privilegiados no continente, um papel facilitador das relações EUA-Africa, potenciando assim os nossos interesses políticos, económicos e culturais.


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28 08 2008
Rui M.Lourenço

Não é de estranhar este aparente desinteresse do tema África no eixo do debate presidencial, os Estados Unidos enfrentam sérios problemas internos e externos, designadamente: O desequilíbrio económico-financeiro (subprime), a falência, em certa medida, do american way of life, a guerra no Iraque e no Afeganistão e os novos sinais a leste, para não falar na ameaça latente de novos atentados terroristas.
Para além destes problemas, os Estados Unidos enfrentam o resvalar da sua posição de potência dominante, hoje quase em exclusivo militar, quando começou por ser económica. Assim, como os países ibéricos, a Holanda ou a Inglaterra deixaram de ser potências dominantes, o mesmo acontecerá com os Estados Unidos.
Neste terreno de areias movediças, os Estados Unidos tendem a descurar Africa, espaço que é ocupado, inteligentemente, pela China que precisa de matérias-primas e de mercados para continuar a alimentar o seu forte processo de crescimento que a poderá tornar a nova potência dominante já na segunda metade deste Século.

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