Crónica de uma morte política anunciada

31 01 2008

João Esteves

Quando começaram a surgir as candidaturas às eleições primárias do lado republicano, Giuliani surgiu como o frontrunner, o candidato que reunia as condições mais propícias para defrontar os democratas. Precocemente, o antigo mayor de Nova Iorque definiu a sua estratégia assente numa concentração de meios e esforços nos estados mais populosos – o primeiro passo para a vitória seria, deste modo, o retumbante triunfo na Florida.  Costumo afirmar que demasiado calculismo é o primeiro passo para a derrota – Giuliani encarregou -se de corroborar a minha tese.

Já aqui dissertei amiúde acerca dos erros crassos da campanha do visado. Propendo hoje para a opinião de que o problema não foi apenas a campanha – o problema era, pois, estrutural e de fundo. Rendo – me à evidência: Giuliani era um péssimo candidato.

Concordo que dispunha de um capital político considerável pela sua actuação como mayor de New IorK numa altura extremamente sensível como foi a que se seguiu ao 11 de Setembro. Mas, e depois? Isso chegará para ser Presidente da maior potência mundial? É óbvio que não.

O Presidente dos EUA tem de ter convicções fortes, ser determinado – Giuliani revelou-se demasiado titubeante , flutuante.

O Presidente dos EUA tem de mostrar ambição – o discurso de Giuliani revelava um candidato conformado, pouco dinâmico.

O Presidente dos EUA não pode denotar uma constante aversão ao risco nem estar preso a fórmulas matemáticas para tomar decisões – Giuliani apresentou-se como um candidato calculista em excesso.

O Presidente dos EUA tem de ter um pensamento e um rumo para a União  e não apenas para os maiores estados – Giuliani deixou transparecer que desprezava os estados de menores dimensões e menos populosos.

Em suma, o Presidente dos EUA tem de ter um perfil que é o contrário de Giuliani. Poderia este ser o candidato republicano, com a agravante de estas eleições presidenciais serem especialmente delicadas para o GOP, após o desastroso legado de Bush? Não – felizmente os republicanos perceberam esta realidade elementar atempadamente. E digo felizmente porque a derrota de Giuliani tem um efeito positivo – o reforço significativo da posição de McCain. Este é sem dúvida o melhor candidato republicano. Dele falarei no próximo texto.

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