Apontamentos sobre a estratégia dos Clinton

9 01 2008

João Esteves

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Referi no meu texto anterior que avaliar a maior ou menor adequação de uma campanha eleitoral acarreta alguns riscos, pois baseia-se, na maior parte das ocasiões, em dados susceptíveis de sofrerem mutações. De facto, o ser humano é imprevisível – as suas reacções variam, não são uniformizadas. Ora, em política, como realidade social e humana por excelência, esta constatação aplica – se com especial acuidade. Isto vem a propósito da vitória de Hillary Clinton em New Hampshire.

Nada fazia prever que a candidata democrata alcançasse a vitória no Estado supra mencionado. A maior parte dos colunistas e opinion makers falharam na previsão do seu segundo desaire eleitoral. As sondagens foram categoricamente desmentidas pelos eleitores. O que se terá passado, então? – pergunta-se.

Na minha opinião, a vitória de Hillary justifica-se por três razões. Todas formais. Nenhuma substancial. A saber:

  • Mudança da orientação da sua campanha, só em termos de marketing – Hillary apostara na imagem de uma mulher determinada, rígida, com vocação para liderar. Contudo, na recta final da última campanha eleitoral, começou a verter lágrimas, emocionando – se, enquanto falava sobre o seu amor pela América, a sua preocupação pelo futuro deste país e outras matérias afins. Resultado: o eleitorado feminino votou massivamente em Hillary, que assim conseguiu, com o seu lado pseudo – sentimental, convencer não apenas as mulheres mais velhas, como também chegar a faixas etárias mais novas (como explicou o director da sua campanha em declarações ao programa Larry King da CNN). Ainda alguém tem dúvidas em relação ao verdadeiro motivo do choro politicamente pensado e estrategicamente executado da Senadora de New Iork? É o que se chama, em português, lágrimas de crocodilo. Ou, como se diz nos EUA, crocodile tears…
  • Aparecimento de Bill Clinton na campanha em grande destaque – O que foi determinante – os eleitores democratas de New Hampshire veneram Bill Clinton e o seu surgimento, por arrastamento, aumentou a popularidade de Hillary. Ademais, permitiu a Hillary concentrar-se na revelação da mulher sentimental que escondera até então, reservando a função ingrata de criticar Barack Obama ao seu ilustre marido, cujo estatuto lhe permite proferir as declarações que bem entender (por mais bizarras que sejam!).
  • O despontar da questão da situação económica americana – Segundo estudo da CNN, os eleitores de New Hampshire confiam muito mais em Hillary para resolver os problemas económicos dos EUA do que em Obama. Explicação: apareceu Bill na campanha, o que traz a reminiscência do período de crescimento e prosperidade da economia americana sob a sua égide. Alguém se recorda de uma medida económica proposta por Hillary? Pois, parece -me que não… Coincidência?

No entanto, convém mencionar que considero o resultado por uma margem de 2% apenas razoável na perspectiva de Hillary. Depende da dinâmica da sua campanha e do impacto que poderá ter noutros estados, do qual se poderá ter já uma ideia na Carolina do Sul. Aqui estaremos para analisar. É que chamar o marido para fazer campanha nem sempre resulta…

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