Balanço dos resultados na Califórnia

8 02 2008

João Esteves

Sócio ITD

Os resultados das primárias na Califórnia coincidiram com as previsões que aqui efectuámos – ou seja, vitórias conclusivas de Hillary Clinton e McCain.

No lado republicano, o triunfo esmagador de McCain dissipou as dúvidas que ainda pudessem subsistir sobre o candidato que irá disputar a sucessão de Bush. As esperanças de Romney dependiam em grande escala de um resultado positivo na Califórnia. Não o conseguiu. Assim como não conseguiu em Nova Iorque.

De facto, o candidato mórmon só logrou alcançar na super Tuesday o epíteto de maior derrotado da noite. Um candidato que foi perdendo dinâmica desde a derrota no Iowa e é actualmente, ofuscado quer por McCain quer por Huckabee.

Porém, do ponto de vista analítico, afigura-se mais interessante destrinçar o que sucedeu no campo democrata.

Ora, em primeiro lugar, a primeira conclusão a extrair é de que Hillary consolidou o apoio dos eleitorados latino e feminino. Escassas horas antes de sabermos os resultados finais, aventei aqui a possibilidade de a entrada de Oprah surtir efeito na captação dos votos das mulheres e latinos por parte de Obama. Não se confirmou.

Pelo contrário, foram aqueles que garantiram a vitória à Senadora de Nova Iorque.

Cerca de três em dez eleitores democratas eram latinos e votaram em Hillary.

A razão para o apoio da referida comunidade na candidata democrata, prende-se com a reminiscência da época de relativa prosperidade que alcançou durante o consulado de Bill Clinton. A sua posição foi, ainda, reforçada com os endorsements da figura carismática dos United Farm Workers- Dolores Huerta- e do mayor de Los Angeles, Antonio Villaraigosa. Os esforços de Barack Obama em inverter a tendência de favoritismo atribuído a Hillary , traduzidos nos anúncios colocados nas rádios em língua espanhola e na promessa de concessão de cartas de condução aos imigrantes latinos sem a situação regularizada,  revelaram-se infrutíferos.

Refira-se, ainda, que a promessa das cartas de condução acima mencionadas, revelou-se contraproducente, como assinalou Maria Elena Durazo, presidente da Los Angeles County Federation of Labour. É que tal promessa representa a assunção de uma concepção enraizada na costa este segundo a qual os latinos preocupam-se prioritariamente com a situação da respectiva carta de condução e que estes encararam como uma afronta. É a prova de que, em política, a lucidez deve ser o timbre de todas as acções (e omissões).

Curioso é, ainda, constatar que Obama conquistou o apoio maioritário dos não latinos – o que poderá significar que ainda pode ser nomeado como candidato democrata. Em teoria, é verdade. Mas penso que esta observação não é ajustada à realidade. Este será o tema do próximo texto.

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